Domingo, Maio 03, 2009

O saco de Pandora


2006

Segunda-feira, Abril 13, 2009

Cores amargas...


São estas as flores que te deixo...

como poemas de cores desbotadas.

É esta a vida que te deixo,

como uma dor enraivecida,

incongruente

que trespassa o tempo dos homens.


Amargam-me os sabores das cores...

Quinta-feira, Abril 26, 2007

Os olhos são como as mãos

Os olhos quando lêem, são como as mãos que amam.
Soletram sentidos, afagam letras, acarinham ideias acetinadas.
Os olhos que lêem, trespassam volúpias, modelam desejos e quereres íntimos.
Os
Olhos
São
Como
As
Mãos
Quando lêem, amam
E decifram
Os nossos corpos imaginados...
São como fotografias
Em sonhos emoldurados...



ao Mário Sousa

Quinta-feira, Abril 19, 2007

Deixei de ser nuvem

Resvalo nesta impotência...
Sabe-me a fel.

Nesta imagem cinzenta,
Poeirenta,
A luz não passa.
A luz trespassa-me o corpo,
Absorto...
Incongruente...

Olho-me!

Virado para uma parede,
Não vejo,
Não sonho...

Apenas a vida me agarra,
Deixei de ser nuvem...


Parede, 16 de Abril de 2007

Domingo, Abril 15, 2007

Procuro-me

Hoje procurei-me
Mas não me encontrei...

A luz esconde-me,
Violenta-me!

Hoje odiei a luz...
Violentamente!

As sombras
(mesmo as mais sangrentas)
são mais doces.

Na sombra talvez me encontre...
Pois na sombra sou...

Agora espero-me,
Longe da luz,
Longe de mim!

Espectro de mim...


Parede, 11 de abril de 2007

Medos

Não tenho medo do silêncio
Mas dos gritos que não ouço.
Não tenho medo da dor
Mas dos afagos que não sinto.

E no fundo da noite, a luz,
Negra, deste sol, ofusca-me,
Corrói-me os sentidos,
Magoa-me.

Porque murcha a flor?
Porque sangra?

Dói-me o sentir,
Dói-me a força de não viver
E de sonhar.



Parede, 11.04.07

Quarta-feira, Abril 04, 2007

Os meus fantasmas


Faz-se a vida
Fazem-se os tempos
E os dias iguais são escuros, torpes
Não os quero...

A penumbra não tem raízes...

Na ilusão desmedida, vagabunda, soalheira,
Afago fantasmas...
Levam-nos o vento!




Venteira, 4 de Abril de 2007

Sábado, Março 31, 2007

O lugar onde...

É o lugar onde,
O lugar em que me encontro
O lugar onde já fui
Pela manhã
(ali à frente, junto da parede, um passarinho saltita, talvez um pardal)
E o sol não me aquece
O sol já não aquece!
O lugar dos deuses, o lugar onde, já não existe.
Agora é o lugar em que me encontro, pela manhã
(e por cima de mim esvoaçam pássaros, deles só vejo as sombras...)


Parede, 8 de Fevereiro de 2007

Contra a Guerra

Da luz e das sombras
Do mal e do bem
Evocai trovões
Evocai relâmpagos!
Cantai sereias
Serenas...

Estranhas sombras
Corroem sentimentos,
Entranhas,
Estradas...

Guerras

Longas armas
Troantes,
Fendem cabeças
E almas mortas...

E todos os jardins são agora das hespérides
Suplícios
De corpos agonizantes,
Fumegantes...

E à voz do dono
Marcham, cintilantes
Jovens soldados, criançolas
Em ordem unida
As botas corrompem
Silêncios,
A luz,
A vida...

Pensar é dor,
A morte melhor que a vida,
A diferença mata...
Morra!
Morra a dor,
Morra o pensar...
A luz morre...

Porque matámos nós a luz?

Na véspera de natal de 2006, os desejos de um ano de 2007 sem guerra no mundo!

O cheiro da noite


Sente-se o cheiro da noite
Pois é na noite que os cheiros têm mais força
Uma ligeira maresia
As flores que pendem das varandas
Brincos-de-princesa e rainhas-da-noite
O cheiro do frio
E da humidade que escorre da pedras das paredes
E das ervas dos telhados
A lenha que arde nas lareiras
(o forte cheiro do pinho e o sóbrio cheiro do sobro)
A canela do arroz doce
Recém feito para a sobremesa de amanhã
No restaurante, aqui do lado...
E um casal de namorados, há pouco passou na rua
Ecoam ainda os passos roubados
Chilreia um beijo furtivo
Nos cheiros vividos
A noite desperta os sentidos
Aos aromas...
Aos afectos...
Amadora, 9 de Dezembro de 2006

Nas noites de luar

Nas noites de luar
As flores são aves do paraíso.
As borboletas adejam
Procurando a luz...
E estes corpos que se fundem,
Mulher e homem,
Continuam a ser vida:
Frementes...
Iguais...

Venteira, 9.03.07

Hipnosis

A onda

Epidermicamente


site meter